Estudo clínico randomizado com 50 pacientes investigou o controle da carga microbiana oral após protocolos de higienização em terapia intensiva. A Santa Casa de Misericórdia de Sorocaba celebra a publicação de um estudo científico conduzido por profissionais da instituição com pacientes internados e intubados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A pesquisa avaliou a evolução da saúde bucal e da carga microbiana oral após a aplicação de protocolos de higienização em pacientes sob ventilação mecânica, contribuindo para o aprimoramento contínuo do cuidado e para a prevenção de complicações em ambientes críticos.
Publicado no Brazilian Dental Journal (Volume 36, 2025), o estudo foi estruturado como ensaio clínico randomizado e envolveu 50 pacientes adultos intubados, acompanhados entre dezembro de 2024 e janeiro de 2025 na Santa Casa de Sorocaba. As equipes coletaram amostras de secreções orais e traqueais em quatro momentos distintos, antes e depois da higienização, para identificar bactérias e fungos e classificar a presença microbiana.
Os resultados demonstraram redução significativa da população microbiana após os cuidados de higiene, reforçando a importância de protocolos bem estruturados e executados por profissionais capacitados, especialmente em pacientes críticos.
“Em pacientes intubados, cada detalhe do cuidado importa. A odontologia hospitalar atua para reduzir a carga microbiana oral e fortalecer a prevenção de complicações, sempre com foco na segurança e na recuperação do paciente. Ver esse trabalho publicado é um reconhecimento do esforço multiprofissional e do compromisso com a melhoria contínua que tanto valorizamos no hospital”, afirma Dra. Tereza C. Teixeira, cirurgiã-dentista e uma das autoras do estudo.
A pesquisa também chama atenção para um ponto essencial na rotina hospitalar: a higiene bucal em pacientes intubados não é apenas medida de limpeza e de conforto, mas componente relevante da segurança assistencial. Em UTIs, a literatura aponta que a aspiração de secreções orais colonizadas pode contribuir para a Pneumonia Associada à Ventilação Mecânica (PAV), condição frequente em ambientes de terapia intensiva.
Nesse contexto, a Santa Casa de Sorocaba tem assumido posição de vanguarda entre os hospitais da região, ao contar com profissional de odontologia e demais profissionais dedicados ao acompanhamento diário e ao atendimento de emergências dentro das Unidades de Terapia Intensiva.
A implantação do protocolo estruturado de higiene bucal e nasal nas UTIs da instituição teve origem em estudo conduzido, em 2020, pelo Diretor-Presidente da Irmandade, Padre Flávio Miguel Júnior, que buscou identificar estratégias para reduzir os índices de infecção hospitalar em terapia intensiva. Ao analisar pesquisas e artigos científicos internacionais, Padre Flávio identificou que parcela significativa dessas infecções estava relacionada às vias respiratórias. Diante dessas evidências, reuniu as coordenações médicas e de enfermagem das UTIs da Santa Casa e convidou a cirurgiã-dentista Dra. Tereza C. Teixeira para estruturar o protocolo institucional de higienização bucal e nasal.
Compreendendo a complexidade e a dinâmica da UTI, Padre Flávio optou por não concentrar essa responsabilidade exclusivamente na equipe técnica da unidade, considerando as inúmeras intercorrências próprias do setor. Assim, decidiu pela contratação de profissional dedicado exclusivamente a esse cuidado em pacientes intubados. A iniciativa passou a integrar a rotina assistencial e contribuiu para a redução expressiva das infecções recorrentes na UTI da Santa Casa de Sorocaba.
“Desde o início da nossa gestão, temos buscado decisões orientadas por evidências científicas. Ao identificarmos o impacto das infecções respiratórias nas UTIs, compreendemos que investir em protocolos estruturados de cuidado bucal era uma medida preventiva essencial. Mais do que reduzir riscos, acreditamos que apoiar pesquisas como esta é fundamental para iluminar novos caminhos terapêuticos, aperfeiçoar tratamentos e contribuir para a recuperação e reabilitação de pacientes críticos. A ciência precisa ser considerada e estar integrada à prática assistencial”, afirma o Pe. Flávio Miguel Júnior, Diretor-Presidente da Santa Casa.
Mais do que reduzir a propagação de bactérias, o controle adequado da higiene bucal contribui diretamente para a recuperação do paciente ao diminuir sua suscetibilidade a infecções e à Pneumonia Associada à Ventilação Mecânica (PAV), que pode ocorrer quando secreções orais contaminadas atingem os pulmões em pacientes intubados.
Referência do artigo “Comparison of Blue®m and chlorhexidine mouthwash on oral health of intubated patients in intensive care unit”, Brazilian Dental Journal, Volume 36 (2025), e25-6537.
A publicação está disponível para consulta no link abaixo:
https://www.scielo.br/j/bdj/a/FxcMVymKyt3JMqQntsjBb3P/?lang=en




